BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES; Lou Reed

Uma vez eu escrevi um ensaio sobre cinema e me lembro que comecei contando meu dia de Ronaldo Boscoli... Após um quebra pau homérico com a minha namorada de então, ela me pôs pra fora da casa dela e ao arremessar minhas coisas pela janela, jogou dois discos; BERLIN e METAL MACHINE. Da rua, gritei; JOGA O TRANSFORMER TAMBÉM... Ela não jogou e naquela noite eu acabei em casa, bêbado, com uma garrafa de uísque vagabundo assistindo um filme do Robert Rossen. Contei isso essa semana pra amiga Ana Cravo, cantora das boa, da ótima banda Preachers e ela me disse... “Porra... Tomara que ninguém precise passar por esse xarivari pra ouvir Lou Reed, né?!” Pensei a respeito. Então, para que ninguém tenha que passar pelo mesmo martírio, o BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES traz hoje o dono dessas bolachas. Senhoras e senhores, bêbados e caretas, virgens e mundanas, de boa índole ou corintianos mesmo... Com vocês, LOU REED.
Embalagens vazias de luckie strike, t-shirt, saltos, batons, heroína, máscaras, chiclets... Tudo forma o conceito desse disco. O ano é 1972 e o disco é o segundo da carreira solo de lou reed. Definitivamente ele enterra o seminal Velvet Underground dele. A partir desse disco, a temática é outra. Tal qual Baudelaire, que há uns séculos atrás chamou todo mundo para “encontrar encantos nas repugnâncias, Lou Reed, agora convoca o mainstream pra conhecer o lado selvagem da coisa. Traz o Rock para o submundo nova-iorquino; Putas, traficas fudidos, ladrões, poetas, produtores, empresários pérfidos... tudo entra para o contexto...
Lou Reed seguia firme e convicto de que precisava de um mega sucesso comercial. Chama para a produção, David Bowie e o guitarrista do Mott The Hopple, Mickey Ronson e a premissa ele já deu de testa a Ronson; “Seguinte. Quero tudo em no máximo três acordes. Qualquer coisa a mais que isso parecerá música clássica...” Seguindo as ordens, Ronson descola uma série de riffs secos para hinos do rock and roll como VICIOUS e HANGIN ROUND. Segue a catarse em PERFECT DAY, que nada mais é que uma puta de uma bad trip pra lá de satânica onde o elemento bebe o sangue da mulher amada pra completar a trepada dionisíaca. Para essas chabinhagens claro... Tinha lá o Bowie. E este talvez seja o principal responsável pela criação do mito Lou Reed. Foi ele que encheu os piquá do cara pra que WALK IN THE WILD SIDE entrasse na bolacha e tenho certeza, que arrependido o cara não ficou...
Não há como falar do Lou Reed sem falar dessa viagem em que ele convida todo mundo pra fazer pela nova Iorque que não está nos guias de turismo. Por onde Lou Reed passou nessa musica, nem os talibãs chegaram pra tentar entrar numas com nada! Ali, onde foi inspirada a canção, filho chora, a mãe não vê e se ver provavelmente dirá, “Te vira que não mandei tu vadiar aí...” Mas que graça tem, eu falar da música aqui? Seguinte, taí o linkão pra vocês baixarem essa parada fina. Aproveitem, curtam e não esperem o disco ser arremessado de uma janela. Vão por mim...
Bora baixar negada!
http://rapidshare.com/files/132892586/Lou_Reed_-_1972_-_Transformer.zip.html
MARCELO MENDEZ é Escritor, fã de Carl Orff, PALMEIRENSE e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. O elemento encontra-se no terreiro de Dona Nena, fazendo um ebó para seu Palmeiras bater o Flamengo...
Escrito por Marcelo Mendes às 17h52
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SEXTA NO CIDADÃO: Porque aqui, cachorro louco a gente bota pra tocar rock in roll

Escrito por Robson às 11h45
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SABADÃO SACOLEJANTE NO CIDADÃO: A saga do masca-cravo continua...

Escrito por Marcelo Mendes às 18h36
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BOULEVARD AUGUSTA BLUES por Xico Sá

SOB O SOL DAS FALSAS MAGRAS
a teus pés, toda hora, todo devoto que se preze, pezinhos 36, 37, 38, conforme confiro aqui gravado em lito no cimento fresco, conforme machucado no meu peito quando pisavas com raiva e desejo, “seu coiso, seu merda, não vês que te quero”, começo a beijar pelo solo pátrio, nem que o chão esteja quente como no Crato, como em Teresina, onde o papa João Paulo II foi fazer aquela graça e queimou a língua, donzela bela que inspira a lira, a loa e a larica,meu docinho de coco aliterado no último, meu quebra-queixo, minha tapioca com nata, minha carne de sol dormida no leite, minha manteiga de garrafa, minha nega,contigo me derreto como no nosso último tango com Elvis na Augusta, don’t be cruel... don´t be cruel a heart that’s true, minha índia, minha cabocla, minha prova dos nove, minha canibalzinha mameluca, comedora de homens na brasa, fome de viver da gota, ô minha minha morena, minha falsa loira, ô minha creaaança, ô minha maloqueira, ô minha qualquer-coisa-linda-da-porra, é chegada a hora, de devotar-me mais uma vez, com súplicas, rezas, ladainhas, benditos e antigas elegias de Jorge Bem –Jesualda desceu o morro!_, o veraneio dos pezinhos, vem, eles já desfilam por aí, no mais legítimo gozo do direito safado de ir e vir, constitucionalissimamente, como Bebetes,lindas sandálias para desenhar calçadas, o baile todo, subúrbio soul, só as certinhas, só as cachorras, as Lucianas, as Domingas, as Barbarelas, todas as musas,flores do bairro, sarro na relva, no Parque 13 de Maio, Jardim Botânico, Ibirapuera, rolinhos primavera, suburbanos corações de domingo, sempre de shortinhos, para enlouquecer parentes e vizinhos, sempre lavando o carro indecentemente na frente da casa, que polimento, e a cunhada, céus, não provoca, a classe operária vai ao paraíso, e a priminha, como cresceu, Zeus, outro dia batia aqui em mim, na altura braguilha, olha só como cresceu a criatura, mira o peitinho, mira, me gusta, umbiguinho de fora, ai que calor, que saboneteira, opa, a tia grita: almoço na mesa, vem comer Juju se não tu vira modelo e morre que é uma beleza, “ô mãe, vira pra lá essa língua”, “vê se pode tio, pega aqui,vê como tô cheinha”... e me mata sob aquele sol falso-magro debaixo de um nada cerimonioso banho de mangueira!
XICO SÁ é Escritor, Jornalista e Santista. Colabaora nesse blog todos os domingos com sua coluna BOULEVARD AUGUSTA BLUES. O amigo encontra-se triste após a traulitada que o PALMEIRAS do Marcelo, deu no Santos dele...
Escrito por Marcelo Mendes às 17h56
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LAP IN THE VOID por Daniella Samad

A vida pode ser simples.
Nada como sentir a salmoura do mar no corpo,deixar esta ser absorvida pelo sol ao secar num deque de madeira; nadar, ver estrelas do mar, peixes-agulha,coqueiros, palmeiras, limoeiros; gaviões mergulhando e voltando do mar com suas presas, aranhas fazendo tramas no açúcar que pinga da caipirinha;deixar o lápis pastel deslizar pelas montanhas que conversam, no papel, com o mar; besuntar-me de proteror solar; afinal já passei há tempos da adolescência e o suficiente de sol já tomei; troquei o "Rayito de Sol" pelo creme FPS 60!
Menos pode ser mais; muitas "congestões" de tanto rir com os bons amigos, engolir água do mar, tomar uma ducha gelada e esquentar-me ao sol; cortar a sola do pé ao pisar na ostra.... nadar com o cão que é um fiel companheiro desde à praia até a bóia na ponta da ilha; ficar dois dias com quase nenhuma roupa e nenhum sapato;ir correndo para o chalé pois o gerador vai desligar-se (tenho que escovar os dentes ainda!) , ler na cama à luz de vela;comer sanduíche na estrada e suco de laranja e, de sobremesa a deliciosa bananinha cascão. O ar puro fresco com cheiro de maresia. O odor da chuva caindo no mato, o robalo, o pudim, o pavê de abacaxi, o risoto de camarão, as caipirinhas, o pé de pato e a máscara de mergulhar;
Ir com o Philip Roth e voltar com o Proust. Ir à procura de um eixo e voltar encontrada comigo mesma. Ir esbaforida, sem tempo e lá, reencontrá-lo.
Obrigada natureza, obrigada amigos.
DANIELLA SAMAD é professora de História Da Arte , pela USP, Cronista e nossa Musa... Volta para esse Blog, colaborando com sua Coluna LAP IN THE VOID para deixar os nossos sábados mais alegres. A musa da hebraica e cercanias encontra-se salgando a cortex em Sevilha...
Escrito por Marcelo Mendes às 18h24
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BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES; Elomar

Eu tenho uma amiga americana, nova iorquina, socióloga e comunista! Daí ela decidiu estudar musica brasileira, literatura brasileira e suportar o amigo brasileiro aqui. Aí, Lauren Smtih, um doce de amiga, veio para o Brasil, comprou um vinil e ficou completamente abestalhada com o que ouviu me perguntando... “Marcelo... se ele fosse americano ele pareceria quem??” – Ri muito.
O amigo em questão não tem a menor condição de ser americano e o porque disso, o BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES tem a honra de tentar explicar; Senhoras e senhores, bêbados e caretas, mocinhas virgens e mundanas passa-rodo, com vocês ELOMAR!
Elomar Figueira De Melo é baiano, nascido em 1937 na cidade de Vitória da Conquista. Foi para Salvador e por lá terminou de cursar seus estudos formando-se Arquiteto em 1964. Usou essa profissão para manter-se minimamente no começo de sua carreira musical e esta, se deu de uma maneira totalmente sui generis. Primeiro pela formação musical; Aos sete anos de idade, teve contato com a musica dos menestréis do nordeste e nas poucas entrevistas que deu sempre citava os “Três Zes”; Zé Krau, Zé Guelê e Zé Serrado. Adorava em particular, Zé Krau, pela forma épica, amarga, triste, lírica com que esse, narrava a dura realidade do sertanejo brasileiro. Já formado, na casa de um tio, ouvindo um programa da Rádio Nacional, percebeu uma música estranha a seus ouvidos, sem violão, viola ou rabeca. Uma música que acabava sem ao menos começar direito. Descobriu depois que aquilo era a protofonia de O GUARANI e desta forma descobriu as partituras. Ficou maravilhado com as milhares de formas e músicas compostas por autores que haviam morrido a cem, duzentos anos.
Rapidamente aprende a ler e escrever bem partituras e em 1969 lança sua primeira ópera; “AUTO DA CATINGUEIRA”. Chamava atenção por ser apenas parcialmente partiturada, já que foi composta com as primeiras informações que detinha e também, pelo forte apelo popular e os temas abordados, jamais vistos ou ouvidos em nenhuma outra obra de nenhum outro compositor. Elomar falava da seca, da fome, da falta de perspectiva do descaso que se tinha com o povo sertanejo do Brasil, de uma forma extremante simples e direta. É mais ou menos dessa época seu primeiro registro musical gravado; Um compacto com duas músicas. “O VIOLEIRO” e “CANÇÃO CATINGUEIRA”. Algo que ficou restrito apenas à região onde residia Elomar naquela época.
Iniciou a partir de então a sua carreira de peregrino Menestrel, de Viola na mão, de palco em palco pelo sertão do Brasil levando sua música aos desvalidos, aos poetas, aos músicos e aos intelectuais de linhagem pura, sem aquelas boiolagens academicistas que infestavam o eixão Rio-São Paulo. Seguiu assim até 1971, quando nesse ano da graça, chegou aos ouvidos do grande Vinicius de Moraes o tal compacto gravado em 1968/69. Eufórico, o poeta foi atrás do compositor daquilo que havia o levado as lágrimas e chegou na Fazenda de Elomar, enquanto esse, de carabina em punho dizia ao poeta que estava a caçar uma onça que insistia em atacar os seus garrotes de Bode. Vinicius achou melhor não se meter na peleja...
Apenas impressionou-se com a formação literária do compositor. Uma formação clássica e regionalista que incluía todos os poetas, escritores e profetas hebreus; leu os mélicos e os clássicos gregos; os latinos, incluindo Esopo e o Fedro; os italianos, franceses, ingleses, espanhóis, russos e, por último, os alemães, tendo, é claro, antes disto passado pelos essenciais patrícios. Vinicus descobriu então um homem extremamente culto e muito bem preparado. Pediu a Elomar que lhe mostrasse algumas de suas canções e o músico, dizendo-se honrado, pediu apenas licença ao poeta “A modo de pegar a viola véia”.
Quando voltou tocou um bocado de canções que levaram o grande poeta ao êxtase. Sugeriu a Elomar que mostrasse esse material para alguma gravadora e se prontificou a ajuda-lo com isso caso fosse de interesse. Mesmo ressabiado com a história de trabalhar com gravadoras do Rio De Janeiro, realidade que a ele parecia distante demais, confiou no novo amigo e autorizou Vinicius a cuidar do assunto. Dessa forma, sai em 1972 “NAS BARRANCAS DO RIO GAVIÃO”. Um disco lindo.
Músicas como O VIOLEIRO, INCELENÇA DO AMOR RETIRANTE, ACALANTO E CANÇÃO DA CATINGUEIRA... Ta aí embaixo o link. Agora é só vocês baixarem para tentarem saber o que embasbacou a Lauren. Então, bora baixar negada!!
http://rapidshare.com/files/65842628/-_Elomar_-_Das_Barrancas_do_Rio_Gavi_o__1973_.zip
MARCELO MENDEZ é Escritor, fã de Marion Brown, PALMEIRENSE e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. E após o festerê de aniversário de Dona Claudete, um Baião de dois apimentado vitimou nosso errante Editor-Chefe
Escrito por Marcelo Mendes às 18h52
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AVISO FINAL por Renato Donisete

ZEFIRINA BOMBA
Em 2005 quando saiu o cd logo eu fui atrás para conhecer o som desta banda paraibana que estava surgindo e sendo muito comentada pelos meios de comunicação. Gostei bastante do que escutei e finalmente em abril deste ano tive o privilégio de assistir uma apresentação na Associação Cultural Cidadão do Mundo. Lá conversei com o simpático casal Thelma (empresária) e Ilsom (vocal e uma DelVecchio, como ele mesmo diz) e recentemente fiz esta entrevista por e-mail. Além do Ilsom, o ZEFIRINA BOMBA é formado pelo Martim (baixo) e Guga (batera). Então vamos ver o quê o Ilsom falou...
Vou começar com uma pergunta que acho que nunca foi feita: Quando começaram com a banda, as influências e o porquê deste nome?
ILSOM: Era 2003 e eu comecei a compor uns sons (sobre a cabeça/ vá se foder/ o que é que tem pra tu vê na tv?) com a idéia de montar um projeto, queria algo simples e que pudesse subverter com instrumentos não convencionais de rock, pensei em uma viola + um berimbau [no lugar de um baixo] + percussão. Nessa época eu tava ouvindo muita psicodelia dos anos 70 de Pernambuco (AVE SANGRIA, LULA CÔRTES) alguns daqui da Paraíba (JAGUARIBE CARNE, ZÉ RAMALHO) além de bandas como CUSPE, DISCARGA VIOLENTA, ROTTEN FLIES, DISUNIDOS. Encontrei muita dificuldade de captar o berimbau [queria usar ele ligado num flanger e num wha wha] o único instrumento que ficou legal foi a viola, então desencanei das idéias e resolvi gravar tudo que eu tinha composto. Chamei o Guga pra tocar as baterias e entrei pra gravar as músicas com bateria e baixo, o resultado é uma DEMO 2003 (que eu chamei de "o primeiro registro sonoro de fato!!"). Faltava só o nome e ZEFIRINA BOMBA pareceu bem legal (ZEFIRINA é um nome tradicional no interior da Paraíba,
e BOMBA vinha da idéia de barulho e anarquia que as músicas tinham).
Como surgiu o contato com a Trama? No quê uma gravadora de médio porte favoreceu na divulgação do trabalho da banda?
ILSOM: Ainda em 2003 o MIRANDA (cara que produziu o MUNDO LIVRE S/A, RAIMUNDOS...) recebeu um mp3 de SOBRE A CABEÇA, e a gente acabou se conhecendo no MADA que rola em Natal, ele deu muita força pra gente (não com grana), mas trocando idéia mostrando sons, falando da gente pra uma galera e acabou pilhando a gente pra gravar um cd, que ele mesmo iria produzir "sem cobrar uma pila". Porra, velho, até hoje ele é um dos caras que eu mais considero, foi ele que de alguma forma abriu a porta pra gente na TRAMA, mas o contrato mesmo rolou quando a gente foi convidado pra gravar um programa que a TRAMA tava fazendo para tv, nesse dia conhecemos o JOÃO MARCELLO BOSCOLLI, ele ouviu e fechou a parceria. A TRAMA sempre foi mais parceira do que gravadora, afinal que gravadora permitiria que uma banda vinda da Paraíba lançando seu primeiro disco tivesse autonomia total "inclusive produzindo o disco". Eles foram realmente foda com a gente!! Eles ajudaram na visibilidade, principalmente na imprensa especializada. Só não foi legal a distribuição, mas isso a gente resolvia levando o disco embaixo do braço.
Já no "Noisecoregroovecocoenvenenado" vocês disponibilizaram as faixas em mp3. Você acredita que a saída de se divulgar o som é na Internet. Como você tem o controle disto?
ILSOM: Acredito que a internet é uma puta ferramenta de trabalho e que facilita muito pra fechar shows e divulgar material, mas a internet ainda é muito estática (só interage com que procura, entende) e na realidade aqui no Nordeste muita gente ainda não tem acesso, acredito que quandoo computador ficar tão acessível como a tv teremos uma nova revolução. Com relação ao controle, não tenho nenhum problema em disponibilizar mp3 gratuito, acredito que a música deve ser livre (como no rádio). Lembro de gravar muita fita K7 e nunca me disseram que eu tava pirateando nada, entende!? Penso nisso quando ofereço alguma música no myspace ou no tramavirtual.
Quanto aos shows, a banda participou de muitos festivais. Explique a importância deles e qual foi o que te mais chamou atenção.
ILSOM: Em 2006 fizemos 73 shows, em 2007 chegamos aos 92 shows e em 2008 só no primeiro semestre já fizemos 47 (mais de 80% deles em bares e centros culturais). Tocar é nossa vibe!! Particularmente eu gosto de tocar em festivais que tem cunho social ou que de alguma forma estão comprometidos (arrecadar alimentos, por exemplo). Torço para que mais festivais assumam uma responsabilidade social e não só de entretenimento. Quanto ao festival que mais me chamou atenção foi o REC BEAT em Recife, tocamos na edição de 2007. Ele acontece durante o carnaval no centro da cidade e é gratuito, me lembro de coisas memoráveis como o show que o MUDHONEY fez em 2001!!
Quando passamos o som no meio da tarde e vimos que já tinha uma galera pra sacar a gente, imaginamos que a noite seria legal, só que a noite não dava pra acreditar! Era muita gente!! O som estava perfeito e o show foi foda!! Com certeza nosso maior público!! E poder tocar no mesmo dia de Erasto Vasconcelos (irmão de Naná Vasconcelos) foi sensacional.
Quais os planos da banda? Estão preparando material novo?
ILSOM: Estamos preparando "NÓS SÓ PRECISAMOS DE 20 MINUTOS PRA RACHAR SUA CABEÇA!", nosso segundo disco. Deve tá saindo em setembro, também disponibilizaremos ele para download gratuito.
Espaço para falar algo que vocês queiram divulgar, etc.
ILSOM: Ouçam ROTTEN FLIES, THE HONKERS, DILETANTES, ROCK ROCKET, LEPTOSPIROSE, MUZARELLAS, WALVERDES, BIGGS, COMEDORES DE LIXO, ATAQUE PERIFÉRICO, GALINHA PRETA, MUKEKA DI RATO, INVASORES DE CÉREBRO, AÇÃO DIRETA, DEVOTOS, FACES DO SUBURBIO, MEGADRIVERS...
RENATO DONISETE. É bonito, (Isso é ele que acha...) simpático, inteligente e modesto... Escreve todas as quartas neste blog. É editor do fanzine punk Aviso Final desde o começo dos anos 90.
Escrito por Marcelo Mendes às 11h50
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Sexta no cidadão:

Escrito por Marcelo Mendes às 19h39
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SABADÃO NO CIDADÃO:

Escrito por Marcelo Mendes às 19h36
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ZONA DO AGRIÃO: Dona Pernambucana

Em 1984 as coisas não estavam fáceis na minha casa. Meu pai, vitimado por suas idéias políticas, marcado por ser linha de frente na grande greve do final dos anos 70 nunca mais arrumou emprego e começava ainda a se acertar e tentar dar um novo rumo para a vida da gente mas as coisas não estavam fáceis.
Com 13 para 14 anos, assistia meu pai procurando trampo e minha mãe, que havia parado de trabalhar em 1974, não se fez de rogada. Arrumou três casas em Santo André e caiu para fazer faxina como diarista e assim, passou a ajudar nas contas e diminuir um pouco da dureza. Meu velho assistia a tudo com uma grande tristeza...
Não gostava de ver sua mulher ralando daquela forma pra ajudar em casa. Não havia casado para aquilo acontecer. Minha mãe sempre fez de boa mas ele não gostava. Meu velho, homem culto, bem educado muito inteligente, sentia-se triste com tudo. Eu, posso dizer que talvez tenha faltado um bife, um melhor tempero no feijão... Mas na minha vida nunca faltou um livro pra ler, um rádio pra ouvir um som. Só que a época era de muita dificuldade.
Era começo de Outubro de 1984 e meu aniversário, dia 05 daquele mês se aproximava. Como eu já tava ligeiro da vida, já imaginava que não haveria bolo, festa e fogos para o meu aniversário. Lembro-me que no dia, passei a mão numa fita cassete, que meu primo havia gravado do AC/DC e durante o dia, passei ouvindo HIGWAY TO HELL e dançando com minha irmã, Melissa. Para mim já tava ótimo. No entanto eu estranhei ao achar uma caneta e uma folha de papel ao lado das minhas coisas que eu não havia levado até lá. Enfim... Passou o dia. Deu então 19:30h da noite e ouvi no portão a chegada de minha mãe na labuta.
Naquele dia, minha mãe trazia uma sacola de roupas de trabalho, um pacote de pão, a carne pra eu e minha irmã jantarmos e um estranho embrulho que ela me deu assim que entrou na cozinha. Um pacote escrito “Discoteca Aldo”
“O fio, veja aí se comprei certo...”
Abri com pressa e quando me livrei do pacote estava lá... “AC/DC, disco FOR THOUSE ABOUT TO ROCK... WE SALUTE YOU”. Cara... Uma senhora, semi-alfabetizada, que nunca falou uma letra em inglês, não sabe absolutamente do mundo do rock, que passou o dia todo entre desinfetante, rodo, água, ferro de passar roupa... Um dia antes, pegou um papel e anotou de um pôster meu o nome do raio da banda, descambou pro centro de Santo André mesmo cansada, e me comprou um disco de presente de aniversário. Pois é...
Esse não é o melhor disco do AC/DC. Talvez não seja o meu predileto dentre o mundão maravilhoso dos três acordes mas, com certeza é o mais importante da minha vida. Devo a ele tudo que sou, tudo que sei, tudo que descobri e tudo que vou descobrir na minha vida. Aquele gesto de minha mãe, simplesmente definiu o caráter de um garoto porque ali, com a grana ganha em uma diária, minha mãe me deu um disco e me ensinou como era ter amor por alguma coisa, no caso, a música.
Portanto, hoje a ZONA DO AGRIÃO não vai falar de nenhuma grande banda, nenhum grande músico em evidencia e será dedicada a uma Pernambucana forte, guerreira, lutadora, que nunca me deixou andar de cabeça baixa porque segundo ela “Cabra que olha muito pra baixo vê tudo os pecado da terra...”. Na minha vida, não sei se tenho muito do que me orgulhar, do que me vangloriar e afins. Mas quero aqui afirmar da certeza que tenho. E tenho um orgulho da porra de ser o Filho De Dona Claudete...
Parabéns Mãe!
MARCELO MENDEZ sou eu e hoje é aniversário de minha mãe, Dona Claudete...
Escrito por Marcelo Mendes às 12h08
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BOULEVARD AUGUSTA BLUES por Xico Sá

A BRAVA PELEJA DA MULHER E DA CACHAÇA
Sinopse: cansada de humilhações nos lares, a cachaça vai à forra. Sem perder a elegância jamais, deixa a sua crítica da ressaca moral pura. Acompanhem:
- Ou ela ou eu – disse Germana, toda metida no seu vestidinho de palha, no seu Ronaldo Fraga de palha de bananeira.
O pobre do cachaceiro ficou passado, perplexo no seu zarolhismo a 45º de graduação alcoólica.
Arrastá-lo dos bares era um serviço humanitário tão comum à patroa quanto lavar roupa suja ou discutir a relação envelhecida em barris de estrago.
Mas naquele dia tudo seria diferente. Deparou-se logo com a birra da empalhada, que reivindicava, no mínimo, mais gratidão do cachaceiro a quem tanto manguaçara.
- Ou ela ou eu - disse de novo, botando fogo pelas ventas.
Sem permitir a réplica feminina, dona pinga incendiou mais ainda o ambiente, a Mercearia São Pedro, diga-se, ali no alto da vila Madalena:
- Cansei de te derrubar em colo de vagabunda...
Embora muito educada, uma fofa, a patroa não suportou a humilhação:
- Você está acabando com a vida desse infeliz... Repare só o farrapo humano que virou.
- Ah, minha santa, a graça desse bofe sou eu, Bovary ces´t moi. Dou-lhe verve, ânimo, o luxo da coragem, mato-lhe a timidez e os assombros...
- Desalmada, destruidora de lares, você acaba com o que sobra desse infeliz...
Marquinhos abaixa o portão de ferro.
Germana adora aquele barulho. É música, é Mozart, diz, assanhada. Sabe que o bicho pega e cresce o amor incondicional dos homens por ela. “Viagem ao fim da noite”, batizou assim aquele congraçamento entre os machos de boa vontade. Na sua elegância de palha, Germana detesta quando os homens pedem “mais uma”. Ela gosta de ser chamada pelo nome, com devoção, olhinho baixo e tudo.
E a peleja continuou:
- O que acaba com essa criatura é a tua rabugice, a tua carranca, já te viste no espelho quando acordas? Que cabelo é aquele, dona?
- Pois saiba que esse desalmado acorda te maldizendo, numa ressaca miserável, sempre como aquele corvo, never more, never more, never more...
- Quando se recompõe volta aos meus caprichos... É um doente por mim, queres devoção maior?
- Eu sou a cura...
- Tu és mesmo um banho frio, sem alma, bálsamo chinfrim... És tão sólida na vida dele quanto um Sonrisal...
- És a ruína desse infeliz...
- Apenas não desejo que ele morra cheio de saúde... Já pensou que triste?
- Cínica.
- Gorda.
- Invejosa, enquanto dás a queda eu dou um colo macio e reconfortante...
- Se ele erra o prumo de casa é por conta da tua feiúra...
- Mas nunca errou o buraco da fechadura...
As duas se engalfinham. A mercearia vem abaixo. Marquinhos levanta o portão de ferro. O sol por testemunha de mais uma peleja entre a mulher e a cachaça. Ah, por isso que eu não quero que me faltem essas danadas. Tão passionais, tão iguais, tão donas das nossas quedas e baques.
XICO SÁ é Escritor, Jornalista e Santista. Colabaora nesse blog todos os domingos com sua coluna BOULEVARD AUGUSTA BLUES. O amigo, tenta convencer Emanuel Kant a sambar maracatu munido de bom argumento e uma bela crioula...
Escrito por Marcelo Mendes às 18h55
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LAP IN THE VOID por Daniella Samad
Ontem fui formalmente apresentada ao Acrômio; ou melhor já o conhecia mas não sabia que este era seu nome de batismo. Isto mesmo, você já ouviu falar?? Técnicamente ele é "a apófise da extremidade externa da espinha da omoplata, que, no homem, se articula com a clavícula". Cuma??? Mais parece nome de algum elemento mineral da tabela periódica. Hehe..mas que nada, é um singelo osso da "carenagem" humana. Isto mesmo, todo mundo o conhece.
É um par de ossinhos, que nalgumas pessoas, faz aquele 'pequeno charme' e fica saltadinho para fora nos ombros.....já lembrou qual é? Aliás, um charme, você já viu, eu tenho certeza. Em ombros, masculinos então ficam lindos, dão uma delineado maravilhoso à umas bonitas costas largas. Fica aquele JE NE SE QUA. U-lá-lá!!
Eu remomendo para todos aqueles que se interessam pela anatomia humana, especificamente a masculina, a sentir um belo par de acrômios.
Um brinde aos acrômios, então!
Saravá!!
DANIELLA SAMAD é professora de História Da Arte , pela USP, Cronista e nossa Musa... Volta para esse Blog, colaborando com sua Coluna LAP IN THE VOID para deixar os nossos sábados mais alegres. A moça encontra-se em Brugges com Danuza Leão e uma garrafa de Montrachet...
Escrito por Marcelo Mendes às 14h03
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BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES; Jackson Do Pandeiro

De tempos em tempos a critica inventa de arrumar um novo Rei pra musica brasileira. Uma mania que sinceramente não entendo. Não sei porque as pessoas dependem desse tipo coisa. Invariavelmente, na busca desses monarcas, são intitulados despoticamente uns elementos um tanto duvidosos e o título da Real Grandeza nunca vai pra quem é merecedor de fato. E já que é o assunto é a realeza. O BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES traz essa semana, um, que não precisa de coroa para firmar sua nobreza. Senhores e senhoras, bêbados e sóbrios, moças sérias e mundanas, com vocês sua majestade o rei do ritmo; JACKSON DO PANDEIRO.
No ano da graça de 1919, em Alagoa Grande, interior da Paraíba nasceu José Gomes Filho. Filho de artistas populares, desde cedo passou a ter contato com a herança negra da musica nordestina via cocos originários de Alagoas. Dessa forma, com o auxilio de seu inseparável pandeiro, começa a adaptar esta batida, aos sincopados sambas cariocas. A partir de então forma-se um estilo único e inconfundível. Jackson cria um recurso vocal para dividir suas musicas como nenhum outro cantor da musica brasileira.
Em 1954 chega ao Rio De Janeiro trazendo paras as grandes rádios e televisão, toda a riqueza dos cantores das feiras livres do nordeste. O sul do Brasil passa então a conhecer o coco, o rojão, o martelo, o galope, xote, forró, xaxado e toda a gama de ritmos até então desconhecidos.
E seguida o empresário Vitório Lattari o convida para a gravação de alguns compactos. Mas não dava pra ser com o nome Zé Gomes... Aí, devido a um filme de western, ele vê lá um matador de nome Jack Berri e se torna JACKSON DO PANDEIRO. Junto com sua companheira Almira, ex-professora de rumba e mambo, gravam o primeiro compacto e emplacam a embolada Um a Um. E nunca mais a musica brasileira foi a mesma.
Ao longo das décadas, seu talento vem sendo reconhecido pouco a pouco. Gilberto Gil regravou CHICLETE COM BANANA em 1972, Alceu Valença fez uma versão para PAPAGAIO DO FUTURO em 1974 e por aí vai. A musica brasileira, parece que tenta enxergar um de seus maiores gênios a passos de elefante. Mas eu ainda tenho a esperança que um dia, nego encha a boca pra falar JACKSON DO PANDEIRO da mesma forma que ou outro por aí diz zeca baleiro... Bem;
O BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES apresenta para os senhores um disco fundamenta para a história da musica brasileira, ainda que esta musica brasileira não saiba disso... SUA MAJESTADE O REI DO RITMO de 1960 é um disco fabuloso, com uma porrada de clássicos do homi. O link vai aí embaixo, convidem lá a cumadre sebastiana pra dançar, se embaçar a coisa chamem o Cabo Tenório e vamo lá...
BORA BAIXAR NEGADA:
http://www.mediafire.com/?7dyiimg24ni
MARCELO MENDEZ é Escritor, fã de Ali Farka Touré, PALMEIRENSE e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. Ultimas noticias nos avisam de que o elemento, na companhia de Carlão O UNO, foi visto cantando um tango de Gardel e sonhando com Isabelle Adjanini no Baeta Neves...
Escrito por Marcelo Mendes às 20h25
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SEXTA ROCKER no Cidadão

Escrito por Marcelo Mendes às 14h42
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SABADO NO CIDADÃO

Escrito por Marcelo Mendes às 12h48
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DOMINGÃO NO CIDADÃO:
Escrito por Marcelo Mendes às 12h44
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Compacto.rec 2008: Vaga para o Calango e Especial Demosul 2007!

O 1º lançamento do Compacto.REC do ano traz traz novidades. Confira a primeira coletânea do ano, o Especial Demosul 2007 e saiba como concorrer a uma vaga ao Festival Calango 2008, enviando ao e-mail compactorec@foradoeixo.org.br três músicas da banda, mais release e foto. Participe!
http://groups.google.com/group/foradoeixo/t/c91a1bf9a38f2d3e?hl=pt-BR
Escrito por Robson às 11h30
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BOULEVARD AUGUSTA BLUES por Xico Sá

Arte: Andréa Ferraz
DORES DO MUNDO
Uma das grandes vantagens das mulheres sobre nós é a coragem, o destemor, de chorar em público. Se o choro vem, as mulheres não congelam as lágrimas, como os moços,pobres moços... Não guardam as lágrimas para depois, como sempre adiamos, não levam as lágrimas para chorar escondidos em casa.
Pior ainda é o homem que não chora nunca. Além de fazer mal ao coração, esse tipo não merece muita confiança. As mulheres não, falo da maioria das moças, desabam em qualquer canto e hora. Se estão mal de amor, choram na firma, no escritório mesmo, na fábrica, choram no trânsito, choram no metrô, simplesmente choram.
Como invejo as lágrimas sinceras das fêmeas.
Quantas vezes a gente não se preserva, por fraqueza, enquanto as lágrimas, em cachoeira, batem forte no peito machista e viram apenas pedras do gelo do uísque.
Como invejo as mulheres que misturam sim o trabalho com o drama heavy metal da existência. Desconfio da frieza profissional, das icebergs de tailleur, que imitam os piores homens e guardam tudo para molhar o travesseiro solitário numa noite de inverno.
Ora, as mulheres podem ser infinitamente poderosas, administrarem plataformas de petróleo nos mares... e chorarem um atlântico diante de uma alma perra e sem cuidados.
Lindas e comoventes as mulheres que choram em público, nas ruas, nos bares, nos restaurantes, nas malocas, no táxi. São antes de tudo umas fortes. Tristes dos que estranham ou ficam envergonhados com o mais verdadeiro dos choros. O medinho do macho diante do pênalti que vale uma vaga no torneio da dignidade.
PORQUE A ALMA PRENDE FOGO QUANDO DEIXA DE AMAR
Esses zolhinhos mapuches guardam todos os venenos andinos e neles bóiam desesperadas canções de ninar pesadelos, mas esses zolhinhos também guardam o fogo retido no sem-fim dos amores, porque os homens passam, as mulheres passam, mas o fogo nunca, ele apenas se disfarça como um vulcão adormecido que retorna sobre lindas botas a caminho de galápagos e um sorriso das mais safadas serpentes do paraíso.
XICO SÁ é Escritor, Jornalista e Santista. Colabaora nesse blog todos os domingos com sua coluna BOULEVARD AUGUSTA BLUES. E o amigo esta numa agradavel mesa de bar na companhia de Danuza Leão comentando Ascêncio Ferreira...
Escrito por Marcelo Mendes às 18h56
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LAP IN THE VOID por Daniella Sammad

A vida vista apenas pelo olho esquerdo.
É assim que começa o filme “O escafandro e a borboleta’ do excelente artista plástico e diretor de cinema Julian Schnabel (fez outros dois ótimos filmes “Before the night falls” e “Basquiat”).
Um filme baseado em fatos reais, na vida do editor da revista Elle Jean-Dominique Bauby, na época com então 40 e poucos anos ( a história se passa em 1995), pai de familia, que sofre um derrame cerebral e apenas através de seu olho esquerdo consegue comunicar-se com o mundo exterior. Os primeiros 20 minutos iniciais do filme são todos filmados do ponto de vista do protagonista, a câmera encontra-se literalmente em seu olho, percebemos e somos seu olho, e passamos a nos identificar com esta personagem que passa a comunicar-se com o mundo através de piscadas . Seu ponto de fuga é este, restrito.Vemos através de seu embaçamento, de seus piscares,(lembrei-me agora do filme “Quero ser John Malcovitch”, em que uma personagem entra dentro da cabeça do citado ator e passa a ver de dentro de sua cabeça também...), e como o próprio personagem diz agora o que lhe resta do mundo são sua memória e sua imaginação, ou, do contrário, entregar-se à morte.
Seu olho é sua pena, ele soletra, letra por letra, demorada e pacientemente a sua vida, e esta é a matéria de seu livro autobiográfico,que originou o filme. O filme é, portanto,regido por esta metalinguagem.
O interessante deste filme é que ele nos coloca no tempo contemplativo deste homem imobilizado, o tempo da espera, do devir, onde todo e qualquer esforço é dificílimo, e cada letra tão cheia de pensamentos completos e imagens risíveis.
Bauby, sonha, imagina, mas na vida real , ficou quase um ano vivendo nesta condição, ditando sua vida e memórias.
Muito louco pensar esta vida no tempo da simultaneidade, do celular, da comunicação em massa, da internet. Mundo este em que o silêncio não é possível, a imobilidade muito menos e talvez até mesmo a imaginação fértil.
O filme me fez pensar no poder da imaginação. Hoje imaginamos cada vez menos, a mídia e o mundo do consumo nos ditam o que e de que forma fazer isto ou aquilo. Não nos debruçamos mais para escrever, não debatemos mais nossos sonhos, não desenhamos ou criamos mais. Para onde foi nossa mente imaginativa e criativa??
Onde mora o poder do sonho e da fantasia que tudo pode?
As máquinas contemporâneas nos tornaram seus escravos e nossas mentes criativas embalsamaram-se; não vejo hoje mais as pessoas criando,debruçando-se sobre o delírio e serem tomadas por surtos criativos, elas apenas consomem e sentem-se vazias. Visto que podem fazer tudo isto mexendo todos os órgãos de seus corpos, tão empobrecidos, utilizados apenas para o mercado. Bauby com apenas um órgão expressivo cria mundos infinitos e reergue-se como ser humano.
O filme é todo tátil, cheio de texturas riquíssimas, onde simples imagens de cabelo ao vento podem tornar-se tufões da natureza. 0 horizonte do ponto de vista de Bauby é outro, suas paisagens são outras. Tudo passa a ser relativizados e potencializado ou diminuído a partir da nova condição deste personagem. Ele não se deixa afundar pelo peso do escafandro de ferro mas liberta-se nas asas da borboleta. Sente-se como um escafandrista preso e incomunicável no fundo do mar, mas quando imagina, sua mente corre solta tal como uma borboleta desencasulada. O filme oscila entre o vai e vem de seus flaskbacks e os delírios imaginativos de seu incansável cérebro.
Através de suas lembranças e delírios,o peso de seu corpo ganha asas e ele pode voar.
Bom ver filmes inteligentes e não politicamente corretos em que ficamos sentido pena do protagonista enclausurado em sua deficiência. Palmas para Schnabel.
Ou melhor, um bater de asas, de borboleta, claro!
DANIELLA SAMAD é professora de História Da Arte , pela USP, Cronista e nossa Musa... Volta para esse Blog, colaborando com sua Coluna LAP IN THE VOID para deixar os nossos sábados mais alegres. Voltará de Cannes a semana que vem e esperamos pelo nobre ar de sua graça...
Escrito por Marcelo Mendes às 14h42
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8 FESTIVAL DE INVERNO DE PARANAPIACABA

Hoje começa mais um Festival de Inverno de Paranapiacaba, principal evento cultural da região do grande ABC. Como sempre a programação deste ano esta recheada de coisas boas... Daqui a pouco as 14h no palco da praça do mercado toca a banda Otis Trio, um jazz de primeiríssima qualidade do nosso amigo Luiz Galvão - o Titcha, as 16h mais um amigo se apresenta, Edvaldo Santana. Depois de alguns anos na espera o Lobo Solitário participará deste evento, a comemoração regada a cachaça ja esta marcada logo após o show. Hoje também vai ter Seu Jorge as 17h no Viradouro e o cultuado trombonista brasileiro Raúl de Sousa as 19h. Este ano infelizmente o Cidadão do Mundo não irá participar oficialmente do Festival, há exatos 3 anos com um projetor de 800 anslumes e uma tela de 70" inserimos a sétima arte como opção ao Festival com uma mostra de filmes mudos. A mostra deu tão certo que no ano passado com o apoio da prefeitura passamos o filme Fabricando Tom Zé e Garotas do ABC, além de uma infinidades de curtas. Neste ano encaminhamos uma programação voltada a cinematografia nacional com longas e curtas-metragens e nem um rotorno por e-mail tivemos. O departamento de vídeo da prefeitura resolveu realizar a mostra sózinhos. Bem... Pelo menos nossa iniciativa de inserir o cinema como opção ao festival, fez com que este departamento saisse da inércia e participasse efetivamente do Festival, quem ganha com isso é o público. Nossa parte foi feita. Abraço a todos e nos vemos em Paranapiacaba.
robson timoteo
no link a programação completa do festival: http://www.santoandre.sp.gov.br/fip/
Escrito por Robson às 13h06
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BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES; Milton Banana.

Aí o amigo foi para Londres... Chegou lá doido por Small Faces, Yardbirds, Cream, Fletwood Mac e afins. Foi pra rua comprar e ficou estarrecido ao constatar que suas bandas de estimação, eram tratadas como Quinquilharias pelos sebos. Mais abobado ficou quando viu lá um disco de nome “Balançando” custando 100 libras. O autor do disco é o convidado de hoje no BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. Senhoras e senhores, pessoas sérias ou largadas, virgens e mundanas, com vocês... MILTON BANANA!
O homem nasceu no rio de janeiro no ano da graça de 1935. Em 1955, como auto didata já estava tocando pelas noites cariocas com Waldir Camon na boate Arpége. Em 1956 ele se une a Luis Eça para formar o antológico LUIS EÇA TRIO. Por lá, veio formatando o que seria o grande pulo do gato em 1959...
Naquele ano, Milton é procurado por um baiano esquisito de nome João Gilberto, com idéias mais esquisitas ainda, para uma gravação de um disco. Como o baiano estranho não conseguia arrumar músicos que entendessem suas idéias esquisitas, chamou Milton para uma audição. A partir desta, Milton adequou uma batida de bateria ao violão do cara e então estava nascendo a tal da Bossa Nova. Pronto...
Milton passa a ser requisitadissímo e toca com nomes como Tom Jobim, João Donato, Johnny Alf, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Baden Powell, Sérgio Mendes, Luís Bonfá e Bola Sete, entre outros.
Em 1962, ele participou no importante espetáculo "Encontro" (produzido por Aluísio de Oliveira), junto com João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, e Os Cariocas, na boate Au Bon Gourmet (Rio).
Naquele mesmo ano, ele viajou para Buenos Aires com João Gilberto onde eles fizeram uma temporada na boate 676, fazendo de lá, escala com Nova York para participar do show de bossa nova no Carnegie Hall. Circula pelo mundo, voltando ao Brasil em 1965 para formar seu grupo. O seminal MILTON BANANA TRIO, numa época onde um baterista jamais sonharia em liderar seu próprio grupo
Gravou pérolas, discos magnânimos e virou referencia obrigatória para quem sonha batucar no fundo do palco. Faleceu em 1999 deixando um legado que, eu espero que em breve o Brasil descubra como os Saxões descobriram e valorizaram. E para que os amigos aqui tenham o prazer de constatar o que falo, aí vai o discaço de 1967, O SOM DE MILTON BANANA TRIO. O primeiro que arrebentou com tudo na Europa e que chamou atenção de caras como Frank Sinatra e Woody Herman, todos embasbacados com a bateria reta do moço. Segue o link aí embaixo e olha... Não ta custando libra nenhuma...
BORA BAIXAR NEGADA:
http://rapidshare.com/files/109543676/MiltonBananaTrioOSomdoMiltonBananaTrio-zl.zip
MARCELO MENDEZ é Escritor, fã de Zé Menezes, PALMEIRENSE e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. E noticias avisam que ele não ta fazendo nada.
Escrito por Marcelo Mendes às 19h22
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SEXTA o pau vai comer...

Escrito por Marcelo Mendes às 17h57
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ZONA DO AGRIÃO; Claudio Cox e o GAS

O GAS tocará nessa sexta feira no Cidadão Do Mundo. Uma banda de rock que presa pela pura essência e muito disso se deve ao seu vocalista CLAUDIO COX. Este, faz parte da linhagem nobre composta por Bon Scoth, Steve Mariot, Coverdale, Paul Rodergs, Randy Bachaman, ou seja; O time de cantores de rock and roll. Que nasceram para cantar rock and roll sem frescura. Aí, para falar disso e do Gas, chamei o homi para o papo aqui na Zona do Agrião. Bora ler o cunversê, negada...
CIDADÃO DO MUNDO : A primeira impressão que tive do Gas foi a de uma ótima banda de rock and roll, que fazia rock sem a preocupação estética do estilo quer dizer; Sem a necessidade de parecer hard, punk, stoner, classic ou o forró de são joaninha em caruarú... sou seja; Um banda consciente do som que faz. De:
CLAUDIO COX : Cara , acho que é o tempo !!! todos passam por essa fase de auto- afirmação, saca?Depois vê que é o seguinte ...é rock e pronto !E isso foi meio que natural sim com a gente.
CIDADÃO DO MUNDO : E como isso é visto pelo mercado musical num todo (discos, shows...) Sem a porra do "rótulo" o Gas é bem recebido por essa Galera? Ou pinta um certo "pé atrás" quando vocês vão para a correria?
CLAUDIO COX : A segmentação é uma faca de dois legumes como diria o Véio Matheus!!!Existem bandas que preferem determinado público e tal... No nosso caso tocamos com bandas de Blues , PunK , etc... E somos bem recebidos.Por enquanto tem sido um bom negócio.
CIDADÃO DO MUNDO : Por falar em bons negócios, o senhor tem uma grife de camisas que em breve o deixará mais milionário ainda... O Gas tem uma linguagem que dialoga fácil com a moda? O lance de não ter uma segmentação colabora para isso? Para a grife caminhar bem futuramente?
CLAUDIO COX : Cara!! é tanta grana que tá difícil de gastar!!hahahaha!Então, as influências da banda são as mesmas no lance das camisas ...Todos na banda gostam de cinema , quadrinhos , chicretes e afins...E isso é o que eu uso pra fazer uma camiseta ou compor uma música ...
CIDADÃO DO MUNDO : Bem... o senhor gaste um pouco no Cidadão do Mundo... E já que falas dessas influencias, me diga sobre esse rico caldeirão referencial; Todas essas expressões artísticas e urbanóides são absorvidas pelo GAS. De que forma isso é feito? Muito cinema pra assistir, muito Cartum pra ler? Como isso chega numa letra do Gas?
CLAUDIO COX : Acho que isso rola meio que inconsciente, e chega de várias formas , uma citação ou um clima... Eu gosto bastante de cinema , e de alguma forma isso interfere no que eu faço...É difícil um desligamento total na hora de criar , e nem é isso que queremos, queremos é bota o bloco na rua memo!!!
CIDADÃO DO MUNDO : E o que o Bloco do Gas trará ao palco do Cidadão Do Mundo nessa Sexta? Além da sua enorme conta bancária... que mais devemos esperar??
CLAUDIO COX : Only Rock and Roll !!! hahaha .... Repertório afiado , algumas releituras e empolgação !!!
CIDADÃO DO MUNDO : Cox... muito obrigado pela entrevista e sexta faremos um barulhão mais ou menos na Rio Grande Do Sul
CLAUDIO COX : Valeu man!!! Hungry Freaks, daddy!!!
MARCELO MENDEZ é Escritor, PALMEIRENSE, fã de Archie Sheep e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. Noticias últimas nos informa de que o elemento chamou René Descartes para dar uma força da reforma de sua casa ao som de um bolero de Benvenido Granda...
Escrito por Marcelo Mendes às 12h47
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BOULEVARD AUGUSTA BLUES por Xico Sá

A ASMA DO AMOR
Amigas, não há mais dúvidas: quanto mais beira o verossímil, com gritos lancinantes na noite, como assimilamos do cinema, mais fingido é o tal do orgasmo. Nunca é condizente com a nossa performance e suor. Os melhores e mais recompensadores orgasmos guardam o bom preceito da educação dos gemidos.
Por mais megalomaníaco que seja Vossa Senhoria, recomendo que não acredite naquelas algazarras, feiras amorosas, sacolões do sexo, capazes de fazer os vizinhos pularem da cama só de inveja. Aquela gritaria toda, meu caro, só vale para provocar um problema dos mais graves. Deixará o casal que mora do outro lado da parede em pé de guerra, uma vez que a mulher, atenta à lição de gozo comparado, vai exigir mais, muito mais, mais e mais, e mais um pouquinho ainda, do seu colega de prédio ou de rua. E o pior é que os gritos lancinantes só costumam ocorrer quando o gozo não passa de teatro, puro teatro, falsidade ensaiada, estudiado simulacro, como canta a deusa La Lupe.
O gozo desesperado costuma ter origens variadas (falar nisso, por que ninguém cita mais W. Reich, meu ídolo da lira dos 20 anos?!). O gozo desesperado, falava eu, costuma ser resultado de algum curso mais digerido de teatro amador, formação em escola com viés jesuítica, leitura errada dos Actors Stúdio, dietas à base de alcachofra, audiências tardias das onomatopéias do Led Zeppelin ou falta de homem propriamente dita.
As melhores gazelas educam cedo os gemidos. Em vez de gritos que parecem mais apropriados para momentos de sequestro-relâmpago, a boa moça sussurra e balbucia safadezas no cangote do amado. Mais vale um dos 3.000 verbetes catalogados no Dicionário do Palavrão, do mestre pernambucano Mário Souto Maior, do que os decibéis selvagens.
As melhores não se desesperam. Já imaginou Ava Gardner em desespero? Nem com Frank Sinatra, a quem enlouqueceu todos os sentidos. E não me venha dizer que isso seja frigidez, frescura ou algo da linha cool.
Uma coisa é a gritaria, quase um SOS, incêndio do Joelma, 11 de Setembro ou sinistro urbano do gênero. Outra é a gemedeira gostosa, fungada sentida, fogo nas entranhas, calor na bacurinha, quase um decassílabo a cada descida, lirismo sem fôlego, asma do amor.
XICO SÁ é Escritor, Jornalista e Santista. Colabaora nesse blog todos os domingos com sua coluna BOULEVARD AUGUSTA BLUES. E no dia anterior, o cabra foi visto discutindo Futebol com Marcel Proust e Zé Pilintra no Bar do Caldinho no Parque Novo Oratório...
Escrito por Marcelo Mendes às 13h58
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LAP IN THE VOID por Daniella Samad:
 
A vida pode ser mais simples...
Tenho certeza disso.
Lembro-me de anos atrás ter lido um livro de Italo Calvino intitulado “Seis propostas para o próximo milênio”, foi em 1994, nossa há quanto tempo ! Um livro fenomenal em que Calvino expunha de forma clara estas seis: Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade Multiplicidade e Consistência. Era ainda o século XX e havia na mente de todos nós aquele mistério do que seria o século XXI. Iria mesmo acontecer o “Bug do Milênio”? Espaço-naves sobrevoariam nossas cabeças?
A cura de todos os males iria ser descoberta? Mas nada disso parece ter se concretizado; as pessoas hoje estão mais doentes, mais sem tempo, querem tudo no mesmo momento do aqui e agora e não tem para si o bem mais precioso que, ao meu ver, é algo do qual Calvino esqueceu-se|: o Tempo. Não vivemos o tempo das coisas acontecerem, do simples, da natureza, do enamorar-se, da espera da carta do correio, do aguardo ansioso do retorno do recado deixado na secretária eletrônica, do virar o disco para o lado B na vítrola. Parece saudosismo meu?
Pode ser, afinal já virei a casa do trinta e saudades de uma época que já vivi hora vêm e vaí.
Concordo que devemos ser mais leves, a ausência de peso desnecessário é óbvia, devemos ser as vivências que acumulamos e não as coisas que temos. Outro dia ouvi uma expressão interessante que bem define o homem contemporâneo: somos Teres-Humanos......ufa, nossa que loucura! Cada vez mais, ao menos aqui em São Paulo, cidade em que o rítmo alucinatório de consumo das classes médias e altas define nosso status social - pelo aparelho de celular que temos, o note-book, IPOD, o carro último modelo, a geladeira, enfim o dos bens materiais que nos dominam. Temos que ser rápidos, ágeis e não podemos perder tempo, afinal nos dias de hoje tempo é dinheiro. Mas onde fica a saída matinal da volta com o cão e do jogar bola, o passear de carro sem destino definido, fazer o que eu quiser na hora que bem entender?
Não há este tempo do frugal, do boçal, do rídiculo e daquilo que não tem função e não serve à nada.....quero o ócio produtivo. Não há mai s o tempo para a 'perda de tempo'.Temos que ser precisos, acertivos, objetivos e almejar o sucesso, o dinheiro; até os 40 anos ter casa e carros próprios e, se possível uma familia ‘feliz’ bem constituída, com filhos , bábas, e todos os eletrodomésticos que o catálogo permitir. Mas o que é isso???? Tudo tem que estar ao nosso alcance, ser visível e passível de ser adquirido, comprado; também temos que ser seres que sabem de tudo um pouco e de nada em profundidade, a tal multiplicidade que se espera de “mauricinhos” competentes de bancos de investimento, a tão em voga interdisciplinariedade e, para tanto temos que ter consistência no alcance destes objetivos.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii mas eu quero fugir de tudo issoooooooooo!! “Que meda!!!!"
Não sou um produto, quero a confusão, o relógio perdido no banco do carro,
oconfusionismo, a ambigüidade, viver livre de parâmetros que me digam como eu devo e tenho que ser feliz; quero dormir no banco da pracinha, soltar pipa, sair beijando e abraçando as pessoas na rua, dançar na chuva , rir de tudo e chorar por nada.
Cada vez mais percebo que me distancio destes preceitos do homem funcional que teoricamente é "o feliz" .Será que eu fali??
Não quero ser regida e domada pelo carro; adoro andar a pé e na minha scooter podendo estabelecer outro contato com as pessoas , vejo o céu, converso com motociclistas e crianças na rua, não tenho mais medo, andando com vidros enegrecidos enfurnada em meu mundinho do banco de couro e do ar condicionado. Aliás nunca tive este 'mundinho' e nem o almejo.
Quero a poluição na cara,e vez ou outra o cheiro do mato, os pingos de chuva batendo na cara e o vento raspando a face. Quero me sujar. Quero rir, ouvir ver e sentir.Principalmente quero ser dona do meu TEMPO.Moeda tão rara hoje em dia.
Vivê-lo, desvivê-lo, fazer o que quiser, e tal como Alice no Pais da Maravilhas, encolher e crescer de acordo com o tamanho que minha vontade quiser.
Agora começam as férias escolares e resolvi me dar férias civilizatórias: andarei na rua de pés descalços e nua.
Quero o simples e por ele lutarei!
Será que serei presa??
DANIELLA SAMAD é professora de História Da Arte , pela USP, Cronista e nossa Musa... Volta para esse Blog, colaborando com sua Coluna LAP IN THE VOID para deixar os nossos sábados mais alegrar nossos sábados. E durante essa semana, a nobre moça foi tomar um martini em Mônaco...
Escrito por Marcelo Mendes às 14h33
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Sexta Feira tem Rock no cidadão:

Escrito por Marcelo Mendes às 13h38
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Sabado Sacolejante:

Arte: QCOR? artvisual
Escrito por Marcelo Mendes às 13h36
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BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES; James Gang

Andei pensando no lance da chatice... No rock and roll tem nêgo que devido à folha de serviços prestados e trabalhos executados com alto padrão de excelência, passam a ter o direito adquirido à chatice. Bob Dylan pode ser chato e metido. Mick Jagger, idem. Em menor escala, Joe Walsh é um destes. Ele e a sua banda são os convidados de hoje nesse BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. Portanto, com vocês meus caros... JAMES GANG
E porque James Gang? Porque é a banda do Joe Walsh e este é um baita guitarrista? Ta... Também. Acontece que o James Gang não é uma banda qualquer nem tampouco pode ser apenas assim considerada, “A banda do Walsh”. Óbvio que um musico como ele teria um baita destaque. Mas não era apenas de um guitarrista monstruoso que vivia o James Gang...
O ano é 1966 e a cidade é Cleveland, nos Eua. Nada, absolutamente nada acontecia por lá quando o baixista Tom Kriss e o tecladista Phil Giallombardo decidiram montar uma banda. Apaixonados por bluegrass e rock and roll, a idéia era montar um grupo que fundisse esses dois gêneros ao rock. Para isso chamaram Ronnie Sliverman e Glen Schartz. Não lançaram nada. Ficaram nessa punhetagem de ensaio e teorias até que Glen, pica a mula da banda e no lugar deste, aparece um guitarrista absurdamente bom, metido a besta igual. Quando Tom Kriss o perguntou se ele tocava guitarra e cantava o elemento respondeu o seguinte:
“Isso aí qualquer um faz. Tocar guitarra, cantar uns versos... Mas eu sou Joe Walsh e aí cara, só tem um...”
Bem... Falou isso quando ninguém sabia quem era o tal Joe Walsh. Mas aí a banda se fechou e no lançamento do YER ALBUM em 1969 todo mundo tratou de saber quem era o figura.
Mudou tudo. Afirmou que quadradão daquele jeito não ia dar certo e acrescentou ao caldeirão sonoro do James Gang, o Soul e o funk. Deu um suingue alucinante ao som e começa chamar atenção do mundo. Pete Townsend chama os caras para abrirem para o The Who em WHO’S NEXT. A banda emplaca o sacolejante FUNK 48# nas cabeças da Billboard e as coisas começaram a ir maravilhosamente bem, disco a disco. E Mesmo quando não parecia ir muito bem, os diabos do rock confabulavam pela banda; Quando Tom Kriss fica de saco cheio do ego de Joe Walsh, ele sai da banda e da lugar ao fabuloso Dale Peters e aí a coisa vira de vez...
Finalmente encontram um baixista que entedia as doideragens da cabeça insana de Walsh e daí nascem clássicos antológicos como a histórica WALK ON WAY. E pensando aqui, cá comigo, um ótimo registro dela só poderia ser o da gravação ao vivo no Fillmore East de 1971. E é esse que disponibilizo aqui para vocês baixarem. Portanto, façam como a capa sugere; Arreiem seus cavalos, afiem suas esporas porque a partir de então, o pau vai comer, o rock vai rolar e não vai ser pouco!
BORA BAIXAR NEGADA:
http://rapidshare.com/files/10720580/James_Gang.rar.html
MARCELO MENDEZ é Escritor, fã de Hugh Mazekela, PALMEIRENSE e filho de Dona Claudete. Colabora nesse blog com suas colunas ZONA DO AGRIÃO e seu BAU DE RECEITAS PARA CONTRARIAR O CORO DOS CONTENTES. E sabemos que o elemento esta viciado nos filmes do Ody Fraga, Jean Garret e outras putarias e afins do Canal Brasil...
Escrito por Marcelo Mendes às 11h38
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